Superação: Descobri que meu filho é autista

Olá famílias tudo bem? Estamos começando hoje uma área muito especial do blog Mãespecialista com histórias de superação, lição de vida e que inspiram outras famílias. Eu sou uma manteiga derretida que não posso ver uma história dessas na TV ou na internet que logo me emociono.

O objetivo dessa área de superação/lição de vida/inspiração é realmente incentivar outras famílias que estão passando pela mesma situação que há um caminho.

Hoje vamos mostrar a emocionante história da Mariana, mãe do Daniel de 6 anos, que descobriu o diagnóstico de autismo. Vamos nos emocionar juntos?

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“Sempre tive o sonho de ser mãe, daqueles sonhos que você tem desde a infância e quer logo ficar adulta para realizar. Queria ser mãe ainda nova, para assim poder aproveitar ao máximo e ter bastante disposição.

Casei em 2009, em 2010 compramos nosso apartamento e seria o momento ideal. Não haviam maiores impeditivos para ter um filho. Em setembro estava grávida! Foi uma sensação incrível poder realizar um sonho de infância. Tive uma gravidez relativamente tranquila, trabalhei muito durante toda ela. Confesso que nunca fiz planos para o futuro do meu filho, só queria que ele nascesse com saúde e nasceu! Hoje tenho a sensação que já sabia de algo lá no fundo. Que já esperava por algo parecido com autismo, como se meu subconsciente estivesse me protegendo de uma frustração.

Nunca fui aquela grávida que planejava a escola onde o filho ia estudar, a festa de 1 ano, muito menos a profissão que ele iria ter.

A única coisa que me importava/preocupava era levar minha gravidez até o fim bem. Daniel nasceu com 36 semanas dia 22/05/2011, numa cesárea agendada pois minha placenta já se encontrava em Grau III. Ele ficou na UTI por 5 dias em observação, porém de acordo com meu quadro final da gestação eu já esperava por isso.

No dia 27/05/2011 chegamos em casa da alta e dali comecei a viver de verdade toda minha experiência materna.

Os primeiros meses não foram fáceis, Daniel chorava muito e praticamente não dormia. Aquele choro dele sempre me incomodou muito.

Não era uma coisa normal, era muito além do que eu via nas outras crianças e conversava com as mães.

Mas o tempo foi passando e eu aprendi a conviver com aquilo como se fosse uma característica dele.

Daniel entrou na creche com 1 ano e 7 meses em Dezembro de 2012 e dali começou toda a minha história com o autismo. Em Fevereiro fui chamada para primeira reunião com a psicóloga da escola e ali comecei a ver que minhas preocupações não eram em vão. Ela me disse que o Daniel chorava muito e que tinha alguns comportamentos preocupantes: movimentos repetitivos, irritação, não interagia com as demais crianças, não atendia quando chamado e não falava. Durante a conversa ela me disse que ele poderia ser autista. Por incrível que pareça aquilo não me deu medo pelo nome, eu pouco sabia sobre o que era o autismo. Me disse que deveríamos observar ele e que seria bom procurar uma ajuda profissional, mas como ele ainda era muito pequeno podia passar.

O tempo passou fui chamada na escola mais algumas vezes e continuei perdida e sem saber o que fazer diante do assunto. Os problemas nos afetavam em casa também, então em Outubro de 2013 levei Daniel num psiquiatra. Na época ele estava com 2 anos de 5 meses.

Naquele dia diante de uma consulta ele me disse que Daniel estava no espectro autista. Aquilo não tirou meu chão, não me deu uma dor infinita e nem achei que tinha perdido meu filho tão esperado. Na verdade me deu uma sensação de alívio imensa de entender o que tinha de errado desde o início. Eu sempre soube que tinha alguma coisa diferente com o Daniel e naquele momento eu sabia o que estava acontecendo de verdade. Não foi fácil, passei um período ainda perdida e só meses depois conheci uma pessoa que me deu a mão e me tirou daquele abismo de inseguranças e incertezas. Uma mãe de um menino também autista que já tinha o diagnóstico há mais tempo e ele já fazia todo tratamento.

Agradeço todos os dias por ela ter aparecido na minha vida e me mostrado o caminho da melhor forma possível.

Por inúmeras vezes e com toda paciência do mundo ela ouviu meus desabafos, meus choros e tristezas, e me ajudou indicando os melhores profissionais possíveis. Não podemos ter vergonha de pedir ajuda, principalmente nesse primeiro momento, o apoio emocional é fundamental. Tive sorte de encontrar a mais incrível das pessoas e sou eternamente grata por isso.

Em Fevereiro/2014 começamos as terapias do Daniel, tivemos terapeutas maravilhosas que nos ajudaram muito na fase inicial do tratamento. Na época ele mal falava, não apontava, uma irritabilidade intensa e um comportamento extremamente difícil. Aquele ano sem duvidas foi um dos mais difíceis que já vivi desde a chegada do Daniel. Eram muitas incertezas, muitas angustias, a fase dele era extremamente complicada, mal saiamos de casa por causa dos comportamentos.

A fase inicial do tratamento do autismo é a mais difícil pois toda a família precisa estar disposta a mudar e isso não é algo fácil.

A fala veio com força após os 4 anos e naquele mesmo ano as coisas começaram a melhorar, acredito que a maturidade que a criança vem atingindo com o passar da idade também ajuda muito. Daniel ainda não tem uma fala funcional, mas consegue se comunicar bem sinalizando o que quer e já considero isso uma evolução surpreendente.

Nesses quase 4 anos de diagnóstico posso afirmar que a parte mais importante é a união dos pais e cuidadores. A saúde mental dos cuidadores é algo de extrema importância e deve ser levada tanto em consideração quando o tratamento do autismo.

Hoje levo o autismo de forma bem leve e penso que mesmo com todas as dificuldades podemos ser felizes.

Levamos o Daniel conosco em todos os passeios e viagens que fazemos. Sempre incluímos ele em todas as atividades da família mesmo que o nível de dificuldade seja elevado e muitas vezes a vontade de desistir seja grande.

A mensagem que eu deixo para as pessoas é foquem em qualidade de vida. Invistam toda a energia é tempo disponível em tratamentos adequados para a criança e atenção dentro de casa. O resultado disso tudo é surpreendente. Independente do grau de autismo que a criança possa ter com o tratamento adequado as chances de qualidade de vida são muito boas. A família/cuidadores também devem buscar ajuda psicológica, isso ajuda muito em manter a sanidade mental nos momentos bons e ruins. Sabemos que o acesso a tratamentos pagos ainda é uma realidade distante aqui no Brasil, mas nós pais de crianças com necessidades especiais temos que nos unir cada vez mais para que o tratamento gratuito seja uma coisa possível no futuro.

Acredito que com todas as limitações que existem no autismo ainda podemos ser muito felizes.

Para incentivar outras famílias com nossa história, deixo algumas fotos do Daniel curtindo do jeitinho dele cada momento.”

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Mamãe, Daniel e Papai passeando na Disney Orlando

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Agradeço imensamente a mamãe Mariana por esse emocionante relato de superação e inspiração. Que outras famílias vejam nessas palavras e fotos a possibilidade de superar seus problemas atuais.

** Todas as fotos desse post são de propriedade da Mariana e não podem ser reproduzidas nem compartilhadas.

Se você tem uma história emocionante que vai ajudar outras famílias, entre em contato pelo e-mail maespecialista@gmail.com que será um prazer publicar aqui.

Beijos e até a próxima!

 

 

 

 

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10 comentários sobre “Superação: Descobri que meu filho é autista

  1. Michelle de Mentzingen Gomes disse:

    Que orgulho dessa minha amiga! Parabéns pela coragem de relatar a vida de uma forma tão objetiva e ao mesmo tempo, amável!

  2. Tais disse:

    Chegando aqui numa noite de muinto choro sou mãe de Luiz Otávio de 3 anos e meio poratdor de Displasia Ectodermica Hipoidrotica ainda não consegui aceitar bem a situação são noites e noites de choro me sentindo culpada e perdida mas lendo a historia dessa mãe me deu um pouco de esperança que tudo ficará bem .

    • barbara disse:

      Tais essa reação é normal e vai passar. O depoimento da Mariana, mãe do Daniel, serve para dar forças e mostrar para todas nós que há superação e luta para melhorar o desenvolvimento das crianças. Na torcida por você e pelo Luiz Otávio. Beijos

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